quinta-feira, 22 de julho de 2010

Mel do sol - Oswaldo Motenegro

O verão chegou trazendo a voz
Da paixão que escorre mel do sol
E incêndeia o nosso coração,
Menino
Brincando na areia.
Que o verão saiba cuidar de nós
Passageiros como a luz do sol
Que incêndeia o nosso coração,
Menino
Brincando na areia.
Madrepérola de cores vãs
No vitral insone das manhãs
Que eu vi passar enquanto o mar
Menino
Brincava na areia.
Que a paixão saiba cuidar de nós
Que você beba do mel do sol
E que a sombra que o verão trará
Possa descansar seu corpo
Menino
Brincando na areia.
O verão chegou trazendo a voz
Da paixão que escorre mel do sol
E incêndeia o nosso coração,
Menino
Brincando na areia.


Meu menino está com cinco meses, fica sorrindo quando escuta e olha o dvd do Oswaldo, ele já ama. Assim como eu, que escutei tanto durante a gravidez. Pela sensibilidade e alma do artista, apaixonada. http://www.youtube.com/watch?v=MlWTO8dl2bc&feature=player_embedded

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Dor de mãe

Durante alguns minutos, me coloquei no lugar da Cissa Guimarães. Que dor!
Mas, pensei também, em muitas cissas, que não são conhecidas e clamam por justiça, choram a dor de não poder sentir a energia do ser que gerou, do seu pedaço.
Fui até o quarto do meu filho, beijei, falei baixinho em seu ouvido: Mamãe ama.
Que amor tão grande e lindo é esse amor de mãe, que só agora sinto.
Deus, chorei por alguém que nem conheço,o filho de Cissa Guimarães, mas que via uma mulher linda, cheia de vida, feliz, na TV. Getemmmmmm, e agora? Ela está sem um pedaço. Fico imaginado, como e de onde essa mulher vai tirar forças, daí, me veio o pensamento nas lembranças dela, pensando como ela, em seu lugar. No cheiro do menino, nos beijos, afagos, e li em algum lugar: Ele era o filho mais carinhoso, presente, o mais belo! Isso mesmo.
Deus, por quê?
Pensei nas minhas dores, nas dores de perder meu pai, irmão, mãe, meu primeiro namorado, avós, tanta gente. Gente que não sai do meu coração, da lembrança, e escrevo como desabafo e sensibilidade, como alguém que vive pela metade, pois depois de tantas perdas, ou que seja uma, a gente nunca mais é inteiro.
Pensei também nas muitas famílias que vivem o drama do desaparecimento, em uma revista de grande circulação nacional, li que no Brasil, são mais de 50 mil crianças e adolescentes desaparecidos por ano, muita gente não é? Muitos anjos. Anjos que são arrancados do aconchego, dos pais, das mães.
Como imaginar essa vida? Vida sem saber de sua metade, seu pedaço, literalmente.
Como dormir sem saber onde e como está?Doe, dor de mãe.
Mas, voltando ao caso recente, voltando a falar do filho da mulher alegre e que hoje ao ver sua foto aos prantos, doeu demais. E vai doer muito mais, o não saber como seria o menino que iria virar homem, crescer, ter filhos, conquistar suas vontades e lutas e brincar. Brincadeira essa que custou-lhe a vida, pela imprudência de um outro Rafael, isso mesmo, Rafael, como o Rafael Mascarenhas que foi perdido, na flor da idade.
Menino lindo, sorriso largo.
Pedi a Deus: Me permita ver meu filho crescer, pois é a ordem natural , é contra a lei, uma mãe enterrar, se despedir dessa forma de um filho.
Tão derrepente, tão brutalmente, tão sem explicação.
Que Deus dê força a Cissa, e a tantas outras mães, que perdem seus pedaços sem nem poder escolher, pois se pudessem , tenho certeza, a maioria delas, dariam suas próprias vidas.
Amor de mãe, dor de mãe, nada compara. Tudo fica pequeno.

Escrevendo um sentindo, tentando dormir.

Gardênia.