sábado, 22 de janeiro de 2011

O último discurso por Charles Chaplin





Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

O ano que ganhei meu filho 2010.



Aqui, neste pequeno espaço, busco dividir com vocês e comigo mesma momentos, pensamentos, vida.
Poderia  passar horas e horas escrevendo sobres bençãoes e também os aprendizados em forma de sofrimento.
Mas, apesar de muitas vezes perder a paciência, falar, sofrer (sou humana), reconheço tudo que o Senhor Deus tem me dado. Principalmente o milagre da maternidade, quando, eu quase desisti.

Conheci um rapaz que me amou  da forma que sou, sonhou, mais que isso, realizou comigo o passo mais importante para dizer o que deseja.

Após pouco tempo , engravidei inesperadamente.

Miguel estava à caminho! Nome que eu havia escolhido há muitos anos, desde quando desejei e pensei em ser mãe.

Sabe uma mistura de alegria e surpresa, vontade e medo?

Em meio há tantos enjoos, dores de cabeça, mas acima de tudo uma felicidade sem explicações, meu filho crescia em mim.

Não sei ao certo dizer o que senti ao ver os movimentos dele, chorei.

Miguel nasceu dia 18 de fevereiro de 2010. E com ele nascera uma nova mulher. Crédula, mais segura, mais certa que sonhar é possível, e após tantos anos, desde a perda brusca de meus pais e irmão, que eu não me sentia tão bem.

Aquele vazio  de antes foi substituído por uma felicidade imensa!

Sonhos sonhados de outra forma, porém realizados em um plano de Deus.

Era pra ser assim: Eu, mulher, madura, ao mesmo tempo sonhadora, hoje, quando acordo e vejo esse menino, me renovo, me encho de amor.

Por isso, sou tão grata e viva 2010. Sou tão grata ao Deus de Davi, Jacó, Abrão.E mesmo com essas mudanças, de casa, cidade, vida, compreendo que tudo tem um preço, mas este preço seria pago quantos vezes precisasse, para que eu pudesse sentir o que sinto: O cheiro, o beijo, o olhar, o amor  desse anjo que veio para me fazer feliz, para completar meus dias, para ser meu amor maior.

Amor, que só agora eu entendo que é livre e independe de tudo. Ele só basta.

Um dia, você meu filho, vai ler essas frases, o que a sua mãe pode dizer, é o que provavelmente você não lembre . Te digo todos os dias, desde o dia que nasceu:
Eu te amo te amo, te amo, te amo, te amo. Obrigada, me ouviu e veio ao meu encontro nessa terra. O mundo se tornou mais belo, porque você existe.

Gardênia Cavalcanti,

domingo, 16 de janeiro de 2011

Os balões da saudade



A vida e suas surpresas, muitas vezes que nos fazem chorar como disse um dia um grande compositor chamado Toquinho (que amo) pessoa linda e que tive oportunidade de conhecer.

Ele falou em uma canção :“O futuro é uma astronave que tentamos pilotar, sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar.”

É, e foi com os olhos cheios de água, que um homem, aparentando seus 56(menos ou mais) me abordou no aeroporto internacional do Rio de Janeiro, dia 04 de janeiro.

Estava com o Miguel (meu filho) nos braços, e, aquele homem branco, grisalho, forte, parou, olhou bem para meu menino e com os olhos cheios de lágrimas disse: Esses balões são para você.

Eu sorri e agradeci, ele seguiu devagarzinho, depois parou e voltou.
Falou assim: Sabe , conheci uma moça bem mais jovem, linda e que já tinha um filho de cinco meses quando casei com ela, e a primeira palavra que o menino falou foi papai.Um menino lindo, forte, igual ao seu.

Minha mulher engravidou do segundo filho e infelizmente perdeu nosso bebê.O filho dela (o de cinco meses hoje com dois anos), adoeceu de pneumonia na semana passada, ficou internado junto com a mãe que estava se recuperando do aborto .

Mas, sabe o que me fez parar e presentear seu menino, é a saudade que estou do menino que cuidei como meu. Todos os dias, antes de ir para casa (sou guia turístico) eu comprava um presentinho pra ele. Ontem comprei uma lanterninha, hoje, comprei esses balões, iria solta-los em casa. Mas vendo o seu filho, lembrei-me do que aquele menininho me fez sentir de amor.

Perguntei, naquele momento, se o menininho estava melhor da pneumonia, ele baixou a cabeça e respondeu: ontem ele foi embora, foi ficar com Deus.

Naquele momento, segurei a emoção.

Daí, o homem falou assim: Sabe moça, lamentei tanto a gravidez perdida de minha esposa, mas, a perda desse menino que estava criando como filho, está doendo que parece furar meu peito.
Fiquei sem palavras, um nó na garganta e antes que eu pudesse falr algo aquele home saiu de cabeça baixa, com uma plaquinha na mão.

Deixando comigo, com o meu filho, os balões de sua saudade. Saudade que naquele momento me fez chorar, chorar...

Talvez, e pela minha perplexidade eu não perguntei e jamais saberei o nome daquele homem, com olhos ternos, mareados, mexidos de tanta dor.

Talvez, eu nem tenha oportunidade de saber, se essa mãe conseguiu se erguer, entender, melhorar. Talvez, esse homem passe muitos anos, levando seus presentinhos e soltando em casa, como ele mesmo disse. Para disfarçar, amenizar aquela dor.Talvez...

Quanto a mim, que nem conhecia o homem, nem aquele menininho que conquistou um coração maduro e cheio de amor. Mas, que sempre lembrarei, daquela imagem, de um homem com balões na mão, e o coração apertado, chorando de saudade.

Gardênia Cavalcanti