domingo, 16 de janeiro de 2011

Os balões da saudade



A vida e suas surpresas, muitas vezes que nos fazem chorar como disse um dia um grande compositor chamado Toquinho (que amo) pessoa linda e que tive oportunidade de conhecer.

Ele falou em uma canção :“O futuro é uma astronave que tentamos pilotar, sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar.”

É, e foi com os olhos cheios de água, que um homem, aparentando seus 56(menos ou mais) me abordou no aeroporto internacional do Rio de Janeiro, dia 04 de janeiro.

Estava com o Miguel (meu filho) nos braços, e, aquele homem branco, grisalho, forte, parou, olhou bem para meu menino e com os olhos cheios de lágrimas disse: Esses balões são para você.

Eu sorri e agradeci, ele seguiu devagarzinho, depois parou e voltou.
Falou assim: Sabe , conheci uma moça bem mais jovem, linda e que já tinha um filho de cinco meses quando casei com ela, e a primeira palavra que o menino falou foi papai.Um menino lindo, forte, igual ao seu.

Minha mulher engravidou do segundo filho e infelizmente perdeu nosso bebê.O filho dela (o de cinco meses hoje com dois anos), adoeceu de pneumonia na semana passada, ficou internado junto com a mãe que estava se recuperando do aborto .

Mas, sabe o que me fez parar e presentear seu menino, é a saudade que estou do menino que cuidei como meu. Todos os dias, antes de ir para casa (sou guia turístico) eu comprava um presentinho pra ele. Ontem comprei uma lanterninha, hoje, comprei esses balões, iria solta-los em casa. Mas vendo o seu filho, lembrei-me do que aquele menininho me fez sentir de amor.

Perguntei, naquele momento, se o menininho estava melhor da pneumonia, ele baixou a cabeça e respondeu: ontem ele foi embora, foi ficar com Deus.

Naquele momento, segurei a emoção.

Daí, o homem falou assim: Sabe moça, lamentei tanto a gravidez perdida de minha esposa, mas, a perda desse menino que estava criando como filho, está doendo que parece furar meu peito.
Fiquei sem palavras, um nó na garganta e antes que eu pudesse falr algo aquele home saiu de cabeça baixa, com uma plaquinha na mão.

Deixando comigo, com o meu filho, os balões de sua saudade. Saudade que naquele momento me fez chorar, chorar...

Talvez, e pela minha perplexidade eu não perguntei e jamais saberei o nome daquele homem, com olhos ternos, mareados, mexidos de tanta dor.

Talvez, eu nem tenha oportunidade de saber, se essa mãe conseguiu se erguer, entender, melhorar. Talvez, esse homem passe muitos anos, levando seus presentinhos e soltando em casa, como ele mesmo disse. Para disfarçar, amenizar aquela dor.Talvez...

Quanto a mim, que nem conhecia o homem, nem aquele menininho que conquistou um coração maduro e cheio de amor. Mas, que sempre lembrarei, daquela imagem, de um homem com balões na mão, e o coração apertado, chorando de saudade.

Gardênia Cavalcanti